Por Michel Freller
No cenário atual do terceiro setor, em que a sustentabilidade financeira é um desafio constante, Michel Freller destaca uma das estratégias com potencial de captar mais e ao mesmo tempo, gerar receita recorrente e previsível para organizações sociais: a captação via Nota Fiscal nos estados de São aPulo, Paraná e Maranhão. Os outros estados tem somente o sorteio, porém nestes 3 citados existe o cash back.
Embora seja amplamente conhecida, essa ferramenta ainda é pouco explorada em seu potencial máximo. Muitas OSCs a tratam como algo secundário, quando, na verdade, programas de Nota Fiscal podem representar crescimentos significativos de receita, engajamento comunitário e fortalecimento institucional.
Por que o Cash Back da Nota Fiscal é tão estratégico?
De acordo com Michel Freller, a Nota Fiscal oferece um conjunto raro de vantagens:
1. Médio custo de implementação, excelente custo benefício
Ao contrário de outras estratégias de captação que exigem equipe especializada, tecnologia ou campanhas complexas, programas de Nota Fiscal são acessíveis e simples de operar. Muitas vezes, exigem apenas comunicação consistente, orientação ao público e bom uso das plataformas estaduais, bem como equipe de voluntários.
2. Receita recorrente e previsível
Uma vez formada a base de apoiadores — pessoas que doam seus cupons ou vinculam o CPF à instituição — a OSC passa a contar com um fluxo regular de créditos. Isso fortalece o planejamento financeiro e reduz dependência de editais e doações pontuais.
3. Engajamento da comunidade na cidadania fiscal
Programas de Nota Fiscal aproximam a organização da população geral. Mesmo quem não pode doar financeiramente pode contribuir. É uma forma democrática e inclusiva de mobilização social.
4. Transparência embutida
Os estados, ao operarem essas plataformas, oferecem relatórios, consultas e rastreabilidade. Isso reforça a credibilidade da OSC e facilita a prestação de contas.
O que as OSCs precisam fazer para transformar a Nota Fiscal em uma fonte real de recursos?
Michel Freller aponta três pilares fundamentais:
1. Comunicação contínua
Publicações esporádicas não funcionam. É preciso criar rotinas de mobilização: posts mensais, campanhas temáticas, instruções práticas e lembretes frequentes. Tanto para atrair doadores como para manter contato com os apoiadores e solicitar todo dia para não esquecerem de solicitar a Nota Fiscal com CPF.
2. Facilitação
As pessoas não participam quando acham o processo complicado. A OSC deve oferecer:
- tutoriais simples
- QR Codes diretos
- telas de passo a passo
- atendimento rápido via WhatsApp
Quanto mais fácil, maior a adesão.
3. Monitoramento estratégico
A instituição precisa acompanhar:
- números de apoiadores ativos
- créditos gerados por mês
- áreas e regiões que mais contribuem
- impactos financeiros acumulados
Sem medir, não há crescimento consistente.
Por que muitas organizações ainda não aproveitam esse potencial?
Segundo Michel Freller, a principal razão é a subestimação da estratégia. Como o crédito unitário é pequeno, muitas OSCs não percebem o impacto coletivo. Mas a experiência prática demonstra que instituições que se dedicam genuinamente ao programa chegam a captar dezenas a centenas de milhares de reais por ano — com custos que valem a pena.
Conclusão
A captação via Nota Fiscal é uma das estratégias mais poderosas, acessíveis e democráticas à disposição das OSCs Paulistas e Paranaenses. Michel Freller reforça que, ao profissionalizar essa frente, a organização amplia não apenas sua receita, mas também sua presença na comunidade, seu vínculo com apoiadores e sua credibilidade institucional.
É hora de transformar a Nota Fiscal em uma vertente estruturada de captação, e não apenas uma possibilidade deixada para segundo plano. As OSCs que fizerem isso hoje estarão muito mais fortes amanhã.
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